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Relatório aponta crescimento da violência contra cristãs em países onde a fé é motivo de repressão. Casamentos forçados, abusos e perseguição digital estão entre as principais ameaças 

Reprodução – Comunhao

Ao redor do mundo, a perseguição aos cristãos é uma realidade que vem se perpetuando ao longo da história. Desde a Igreja Primitiva, os seguidores de Jesus enfrentam múltiplas formas de ataques. Entretanto, dentro desse cenário, as mulheres são mais vulneráveis.

Neste mês das mulheres, NicGospel chama a atenção para a realidade das cristãs que são silenciadas e agredidas devido à fé em Jesus, mas precisam de apoio e cuidado. De acordo com a Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2025, 54.780 seguidoras de Jesus sofreram algum tipo de violência física e psicológica, o que representa um aumento de 28%, além de ameaça de morte.

Entretanto, os números reais podem ser muito maiores, mas a falta de registro dos casos torna impossível saber o número exato. No caso de casamento forçado e violência sexual, o relatório indica 3.944 vítimas. Na LMP24, foram 3.231.

Segundo Marco Cruz, secretário-geral da Missão Portas Abertas, essa realidade ocorre, geralmente, em sociedades de maioria muçulmana ou de religiões asiáticas (hinduísmo e budismo). Isso porque as sociedades majoritárias têm como regra que um cidadão nascido no país já está com a religião estabelecida.

“Então, quando há conversão, principalmente de mulheres, a família e a comunidade forçam o casamento com membros da religião nativa”, comenta Cruz. Sendo assim, na maioria dos casos, maridos obrigam, de forma violenta, as mulheres a voltarem à religião original. Além disso, quando “o casal tem filhos, a mulher pode ser expulsa de casa, sem direito a nada: a levar ou sequer ter contato com os filhos, não têm direito a um trabalho e renda e ficam a mercê de ajuda de parentes ou vizinhos.”

Ele lembra que as cristãs enfrentam todo tipo de violência que os homens enfrentam, mas a violência física, psicológica e sexual é mais exacerbada com elas. Isso ocorre porque o corpo feminino, em muitas sociedades, é propriedade dos homens (maridos), o que faz com que elas fiquem vulneráveis a abusos físicos e violência sexual.

Outro tipo de perseguição vivenciado por mulheres é a perseguição digital, expõe Cruz. Com base em leis extremistas dos países, elas não têm o direito de acesso à internet ou outras plataformas de comunicação. “A lei também não garante trabalho ou outra forma de geração de renda, quando separadas de seus maridos ou expulsas de suas comunidades. Elas podem passar fome, adoecer ou até morrer nessa situação.”

Bangladesh e Norte da África

Nos 50 países da LMP25, as mulheres são discriminadas, perseguidas e enfrentam a dupla vulnerabilidade: ter nascido mulher em um país que não garante seus direitos e ter se tornado cristã. Mas, segundo estudos, um país e uma região são pontualmente mais complicados para as cristãs: Bangladesh e Norte da África.

“Mulheres cristãs em Bangladesh enfrentam severa perseguição por sua fé, incluindo rejeição familiar, divórcio e isolamento social, agravado pela discriminação de gênero no país”, explica Marco Cruz, acrescentando que, apesar das proteções legais, a pressão da comunidade e os preconceitos religiosos dificultam que as mulheres pratiquem a fé livremente.

Já no Norte da África, segundo Cruz, as mulheres cristãs enfrentam severa perseguição por conta da fé, agravada por rígidas restrições sociais, culturais e legais. Elas são frequentemente rejeitadas, isoladas ou abusadas por suas famílias e comunidades por se converterem ao cristianismo e lutam com problemas como casamentos forçados e dificuldades econômicas.

“Apesar desses desafios, muitas permanecem firmes em sua fé, extraindo força de seu compromisso com Cristo. A Portas Abertas apoia essas mulheres por meio de aconselhamento sobre traumas, treinamento vocacional e grupos de oração”, enfatiza Cruz, observando que a Portas Abertas apoia essas mulheres por meio de programas espirituais, emocionais e práticos para ajudá-las a permanecerem fortes em na fé e a construir comunidades resilientes, com o apoio contínuo de doadores globais sendo essencial para seu sucesso.

Escravidão e prostituição

O pastor Amauri Oliveira, presidente da Agência Presbiteriana de Missões Transculturais, relara que nos países de maioria muçulmana a cristã é obrigada a casar com um islâmico como forma de conter o avanço do cristianismo. “Casar com um cristão significa filhos na mesma fé. Agora, se casar com um não cristão, caso haja o divórcio os filhos ficam com os pais para serem educados no Islã.”

Ele cita que essa situação ocorre em países, como Paquistão e Afeganistão, inclusive, se a família cristã não aceitar o pedido de casamento, a moça acaba sofrendo ataque. “Já atendi no Brasil casos de moças que fugiram com medo de serem atacadas com ácido.” O pastor relata ainda casos de cristãs que são forçadas a se tornarem prostitutas ou foram sequestradas ainda na infância. “A justifica para tais atos é o nome de Alá, para que não sejam infiéis ao islã.”

Amauri também pontua que há países em que famílias cristãs acabam envidadas devido à pobreza. O salário é insignificante, então, sequer cobre os gastos com as necessidades básicas. “Acabam presos por conta da moradia e das dívidas. No entanto, acabam desempenhando trabalho escravo”, salienta e emenda: “Os patrões muçulmanos acabam pegando as moças cristãs, como também as casadas, e levam para a prostituição como pagamento das dívidas”.

Sendo assim, o pastor Amauri ressalta o importante trabalho das agências missionárias no sentido também de resgatar essas mulheres, comprando a liberdade delas. “A partir do Evangelho, elas têm a dignidade restaurada. Percebem que no cristianismo a mulher é respeitada e valorizada.”

FONTE: Comunhao