Israel bombardeou alvos estratégicos na Síria e ocupou a zona desmilitarizada nas Colinas de Golã para evitar que armamentos chegassem a grupos hostis como o Hezbollah e milícias iranianas.

A recente queda do regime de Bashar al-Assad na Síria provavelmente trará tanto desafios quanto oportunidades para Israel. A instabilidade decorrente dessa mudança exige vigilância constante, pois o vácuo de poder que pode surgir na Síria abriria espaço para novos atores regionais, o que poderia agravar ainda mais a situação de segurança tanto para Israel quanto para o Oriente Médio como um todo.
De olho nessa possibilidade, Israel intensificou suas operações militares na Síria, incluindo a capital Damasco, realizando mais de 350 ataques aéreos em um período de dois dias. Esses ataques visaram instalações militares, depósitos de armas e navios da Marinha síria, com o objetivo de evitar que armamentos caíssem em mãos de grupos extremistas.
Os bombardeios atingiram baterias antiaéreas, campos de aviação militar, instalações de produção de armas, aeronaves de combate e mísseis. Além disso, navios de mísseis israelenses atacaram instalações navais sírias nos portos de Al-Bayda e Latakia, onde 15 embarcações navais estavam atracadas, e na base naval de Tartus.
Oobjetivo desses ataques é destruir armas estratégicas e infraestrutura militar para evitar que sejam utilizadas por grupos rebeldes que derrubaram Assad, alguns dos quais têm raízes em movimentos ligados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico. Israel também busca impedir o reabastecimento de milícias iranianas e do Hezbollah com armamentos avançados.
Autoridade de Israel, entre elas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, se manifestaram sobre os bombardeios em território sírio.
“Não temos intenção de interferir nos assuntos internos da Síria, mas claramente pretendemos fazer o que for necessário para garantir nossa segurança”, disse Netanyahu. “Eu autorizei a força aérea a bombardear capacidades militares estratégicas deixadas pelo exército sírio, para que eles não caíssem nas mãos dos jihadistas.”
A queda de Assad também significa a redução da influência iraniana na região, o que pode promover uma diminuição nas ameaças representadas por grupos aliados ao Irã, como o Hezbollah no Líbano e as milícias xiitas na Síria contra Israel.
O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, disse ter evidências de que os eventos que ocorreram na Síria, levando à deposição do ex-presidente Assad, foram planejados pelos EUA e Israel. Khamenei afirmou que a intervenção ocidental na Síria foi uma tentativa deliberada de desestabilizar a região e enfraquecer os aliados do Irã, com o objetivo de limitar a influência iraniana no Oriente Médio.
O líder iraniano também ressaltou que a queda de Assad seria parte de uma estratégia mais ampla para criar um cinturão de hostilidade contra o Irã, alinhando potências regionais e internacionais com os interesses ocidentais.
“Não deve haver dúvidas de que o que aconteceu na Síria é resultado de um plano conjunto americano e sionista”, Khamenei teria declarado.
A queda do regime sírio, que ficou mais de 50 anos no poder, levou Israel a entrar em território sírio, reforçando a proteção nas Colinas de Golã. Objetivo principal das Forças de Defesa de Israel (FDI) é garantir a segurança e a estabilidade na fronteira com a Síria.
“As FDI implantaram forças na zona-tampão e em vários outros lugares necessários para sua defesa, para garantir a segurança das comunidades das Colinas de Golã e dos cidadãos de Israel”, escreveu a FDI.
Para isso, unidades israelenses de paraquedistas, juntamente com outras forças militares, estão realizando patrulhas na zona desmilitarizada das Colinas de Golã.
Conforme o comunicado, essas tropas são posicionadas em postos de controle e operam sob a supervisão de brigadas regionais, como a Brigada Golã e a Brigada de Montanha, com a missão de proteger a fronteira e prevenir qualquer tentativa de incursão.
No entanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Saar, destacou que a presença de tropas israelenses em território sírio é “limitado e temporário”.
O exército israelense também confirmou que as tropas assumiram o controle da porção síria do Monte Hermom, onde Saar disse que as FDI estão posicionadas a uma distância que varia de apenas alguns metros até cerca de três quilômetros da fronteira, conforme a delimitação que Israel considera válida nas Colinas de Golã.
Fontes: UOL e Reuters