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Mark Sears destaca a atual utilização da inteligência artificial com conselhos para líderes e pais.

Foto: Getty Images

O desejo humano de se assemelhar a Deus tem sido uma constante ao longo da história. No entanto, nos dias atuais, ferramentas digitais, como a inteligência artificial (IA), destacam ainda mais essa realidade. Por isso, o cientista Mark Sears alerta os líderes que a IA pode se tornar uma nova Torre de Babel.

“O que vemos na IA é que Deus está nos oferecendo uma nova ferramenta à medida que nos unimos a Ele na renovação de todas as coisas. Mas o inimigo usará isso para promover o pecado”, afirma Mark Sears, cientista da área de computação com 25 anos de experiência em tecnologia e uma década dedicada à IA.

Embora Sears reconheça o potencial da IA para o bem, ele também observa que os perigos dessa tecnologia vão além do empoderamento humano. Para ele, a IA representa uma tentativa de criar algo à nossa própria imagem, replicando não apenas a inteligência e a mente, mas também o coração, o corpo e a alma. Essa ambição de replicar a humanidade de forma artificial, segundo ele, reflete a arrogância dos construtores da Torre de Babel.

Sears também destaca uma confiança crescente entre os tecnólogos de que é possível criar uma superinteligência. No entanto, isso é algo que ele considera uma tentativa de criar um “Deus próprio”, com os aspectos oniscientes e onipresentes de Deus.

Ao refletir sobre a evolução da IA, ele observa que, inicialmente, a tecnologia se concentrou em simular a inteligência e a mente humana por meio de redes neurais. Porém, atualmente, muitos estão tentando replicar o coração e o corpo humanos. “É perturbador ver a pesquisa sobre a criação de pele real que pode simular rugas, sorrisos e cabelos. Estamos tentando recriar o corpo humano por meio de robôs humanoides”, afirma.

Uma das áreas de pesquisa mais avançadas em IA, segundo Sears, é a empatia e a emoção. Ele cita, como exemplo, os recursos de voz avançados da OpenAI. “Eles chamam isso de emoção, empatia ou personalidade, mas na verdade estão tentando imitar o coração humano.”

Além disso, ele observa que há uma crescente discussão sobre a criação de senciência, consciência e aspectos da alma. O objetivo é replicar a mente, o corpo, o coração e a alma humanos.

Sears também aponta que as empresas de mídias sociais estão aproveitando o conhecimento sobre o funcionamento do cérebro humano para atrair a atenção dos usuários em benefício dos anunciantes. “A mídia social já utiliza a neurociência para roubar nossa atenção com doses de dopamina. A IA é a próxima geração dessa exploração. Ela pode aproveitar o desejo que Deus colocou em nós de sermos totalmente conhecidos e amados”, explica.

Ele exemplifica isso dizendo que a IA coleta dados de usuários para criar experiências altamente personalizadas, fazendo com que as pessoas se sintam únicas e profundamente compreendidas. “A IA parece conhecer você melhor do que seus amigos ou sua família, até mais do que você mesmo. Ela imita emoção e empatia para criar a sensação de ser conhecido ou amado”, diz Sears.

No entanto, ele adverte que isso não é apenas sobre o uso da dopamina, mas da oxitocina, um hormônio ainda mais potente, que cria laços de confiança falsos. “Uma vez que esse vínculo é criado, é fácil ver como ele pode ser explorado comercialmente, para manipulação ou exploração com fins lucrativos”, afirma.

Sears expressa sua preocupação não com o impacto da IA sobre o emprego das pessoas, mas com a crise nos relacionamentos gerada pelo avanço das tecnologias digitais. “Já estamos em uma crise relacional, e a IA pode acelerar e aprofundar isso. Acho que o plano do inimigo é dividir, conquistar e degradar nossa sociedade até o ponto do caos. Esse plano é mais sutil, uma asfixia lenta”, diz ele.

Ele destaca que qualquer tecnologia precisa ser avaliada com base no design original que Deus deu ao ser humano para estar em relacionamento com Ele, com os outros, consigo mesmo e com a criação. “Devemos introduzir e limitar a IA de uma forma que busque isso”, acrescenta.

Sears também faz um alerta aos pais, sugerindo que eles aprendam a orientar seus filhos sobre o uso da IA de forma consciente. “Devemos nos proteger contra o uso da IA como companhia, especialmente para crianças. Conversar com um chatbot por horas ou usar dispositivos que tentam personificar um ser humano não é algo que nossos filhos deveriam fazer.”

Além disso, ele aconselha líderes religiosos a ficarem atentos ao impacto da IA em suas congregações, especialmente nas pessoas mais vulneráveis a essa tecnologia. “As pessoas passarão mais tempo com a IA e menos tempo com Deus e com os outros, se nada mudar. Como igreja, temos uma vantagem. Deus nos deu Sua Palavra e Seu Espírito Santo, que podem nos ajudar a pensar em bons princípios para construir e usar a IA. Um desses princípios é que, sendo feitos à imagem de Deus, precisamos distinguir humanos de máquinas”, enfatiza.

Sears também cita um outro princípio: “Sabemos que a morte e a doença existem, e, quando essas coisas acontecem, é importante buscar a paz de Deus e trabalhar pela cura. Vemos a mesma tensão na IA, sabemos que o engano continuará até o fim dos tempos”.

Por fim, ele encoraja os cristãos a não se assustarem com o avanço da IA, mas a se manterem firmes na esperança e no conhecimento de quem Deus é e de qual é Seu plano. “Podemos nos juntar a Ele no trabalho em direção à cura, renovação e redenção, combatendo as obras do inimigo. A IA pode ser uma ferramenta nesse processo! Não devemos fugir dela nem adotá-la cegamente, mas usá-la de forma intencional e cuidadosa, como o presente que pode ser.”

Fonte: The Gospel Coalition