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Ruojie foi considerado um criminoso por ser pego vendendo Bíblias e outros materiais cristãos no país.

Imagem representativa

Um professor de Escola Bíblica Dominical (EBD) foi preso e acusado de “operações comerciais ilegais” na China, após vender Bíblias e outros materiais cristãos. Ruojie*, de 29 anos, atua como professor de EBD no país há oito anos. Além de servir na igreja, ele vendia Bíblias e outros livros cristãos desde o início de 2023.  

O professor tem esperança de que será liberto até o fim deste ano. Ruojie nasceu em um lar cristão e é o mais velho de dois irmãos. O caçula da família ainda está no Ensino Médio. 

“Meu filho vende livros por todo o país de maneira discreta, em diversas províncias. Mas ele foi descoberto pelas autoridades quando estava a caminho de uma das entregas”, disse Chen, mãe do professor. “Mais de dez mil livros foram encontrados na casa de Ruojie e outros dez mil exemplares em um depósito”, contou Li, missionário local.  

Na China, ter uma Bíblia ou outras literaturas cristãs não é ilegal, mas adquirir esse tipo de material está se tornando cada vez mais difícil, com regras mais rígidas do que em anos anteriores. Em 2018, com a implementação de novas regulamentações religiosas, a venda e a compra de Bíblias online foram proibidas.

Apenas as igrejas com o registro do governo, Concílio Cristão da China (CCC) e Igreja Movimento das Três Autonomias (TSPM), e livrarias afiliadas ao sistema de controle governamental podem vender artigos cristãos. As negociações fora desse contexto são consideradas ilegais. 

A aplicação da lei varia entre as províncias, mas continua a dificultar ainda mais a aquisição de Bíblias e livros cristãos pelos crentes na China.

Assim, Roujie foi considerado um criminoso: “Durante algum tempo, as autoridades locais não nos deixaram visitá-lo na prisão. Eles também inspecionaram a casa do meu filho diversas vezes e entraram em contato com pessoas próximas a ele em busca de mais evidências”, relatou Chen.  

Tempo depois, a mãe e um dos irmãos conseguiram autorização para visitar Roujie. Agora, Chen pede orações para que o filho saia da prisão e por outros desafios enfrentados. 

“Ruojie estava noivo e planejava se casar este ano.  Mas, quando foi preso, a noiva decidiu romper o compromisso. Ela foi visitá-lo na prisão apenas para terminar com ele. Ele ficou surpreso e não sabia o que fazer. Ele não estava preparado para essa notícia”, contou a mãe.

Na cultura chinesa, o casamento representa não apenas a união de duas pessoas, mas também a das duas famílias. A família de Chen, que não possui carros nem casas, considerados essenciais para um casamento na região, sofre por causa disso em relação ao filho.

Apesar dos desafios, Li contou que quando conhece pessoas com problemas como os de Chen e Ruojie, ele se lembra que há cristãos em todo o mundo orando por eles e isso o encoraja.

“Muitas vezes me sinto desamparado, sem saber o que fazer, como ajudar de maneira prática. Mas o que podemos fazer é levar conforto para eles, visitá-los e orar com eles no momento em que outras pessoas viraram as costas”, concluiu Li.  

*Nomes fictícios

Fonte: Portas Abertas